Ruta de Segovia

Agosto 7, 2007

 Asfalto:     Panorama:     Segurança:  

2⇄   È 100%    8:00 (Dom)   õ =0   ä =0

4  Valle de los Caídos (M-600)

<  (…)

; (…)

P  (M-601 / Carretera de Segovia)

60 kms

Se, na crónica antecedente, os Movimentos Concêntricos planificaram exaustivamente um grande treino em Madrid junto dos ciclistas do Club Chamartín, tendo esses planos saído furados por faltar uma peça de equipamento essencial à última hora (acabamos por nos contentar com uma saída improvisada que acabou por ser extremamente feliz), desta feita não organizaram previamente os Movimentos Concêntricos nenhuma joint-venture com clubs locais e esta acabou por acontecer espontaneamente! O resultado, no entanto, foi desanimador.

Às 8:00 da manhã de domingo circulávamos pelas mesmas estradas que nos levaram ao Alto de Cruz Verde no episódio anterior. Os ciclistas eram inúmeros. Ao fim de 20 kms, começamos por sentir uma inquietação competitiva por causa de um ciclista que teimava em não se deixar alcançar. A estrada era recta e ondulada como um mar calmo de vaga longa, e às subidas feitas à la danseuse em power-sprint, seguiam-se descidas em aero-sprint, com cotovelos bem juntos no Profile T2 Plus DL.

Quando, finalmente, o espanhol fugitivo foi alcançado, saiu subitamente de uma rotunda e foi ao encontro de 6 ciclistas que o esperavam. Os Movimentos Concêntricos não se coibiram, e entraram na festa sem convite. Depois das apresentações muito hospitaleiras, e para que ninguém ali estivesse em comprimentos de onda diferentes, o anúncio do percurso: direcção Segovia, con dos puertos de primera categoria, ida e volta, total de 120kms (bueno, por lo menos en el papel).  Os movimentos Concêntricos ficaram encantados. Arrancou o grupo.

Fiquei abismado (a título de revisitação) com a qualidade do ciclismo amador espanhol. Já aqui o dissemos, mas não é demais repetir. Os ciclistas têm enormes cautelas de segurança activa, uma linguagem gestual para advertir o ciclista da retaguarda de perigos, mudanças de sentido, que até um penetra recém chegado há minutos entendia. E têm qualidades físicas extraordinárias. Fica a impressão de que exercem as respectivas profissões no tempo livre que lhes sobra dos treinos, e não inversamente, como a maioria dos praticantes.

Os primeiros 35 kms, a somar aos 20 que já tínhamos nas pernas, foram feitos em ritmo de aquecimento. Depressa chegaram as subidas, e as trocas de impressões sobre a Volta a Portugal deram lugar ao silêncio e a uma descontraída compenetração no esforço de escalada. A velocidade era, no entanto, mais vertiginosa do que a descontração levaria o incauto a supor. Os meus simpáticos colegas ciclistas de domingo, cedo nos apercebemos, iam conduzir-nos a um enfarte do miocárdio antes sequer de ver Segovia ao longe.

Afastámo-nos com reverência, qual chineses, e continuámos por conta própria.

Dos restantes quilómetros, pouco mais podem os Movimentos Concêntricos aqui relatar além do que foi relatado na crónica anterior. Paisagens sensacionais, irrepreensível qualidade dos asfaltos, a predisposição dos automobilistas para partilhar a estrada com ciclistas. Mas desta vez, em sentido oposto ao do Escorial, rumo a Segovia.

Um treino aturado em terras espanholas é muito recomendável, mas vá por nós: treine muito antes, os ciclistas locais não estão meramente “em forma“, eles estão na zona!

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